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A sombra do que fomos

O livro lido no fim de verão.
O fim da vida num monólogo de história afectiva, política e social da personagem e do Brasil nos dois últimos séculos.
Uma escrita e argumento que prende o leitor.

AS PALAVRAS

As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade

Livros

“O Mundo” de Juan José Milás

images – leitura em curso de uma escrita fluída em tom psicanalítico.

Registos apelativos, do ponto de vista estritamente pesoal, que ao reflectirem a criatividade do pensamento expresso na linguagem, de simplicidade aparente, lançam o desafio à  escrita/ leitor/escritor.

Alguns registos:

“Quanto ao rosto, não perdera a expressão de perplexidade da infância. Continuava a transmitir a impressão de estar habitada por alguém com quem talvez não tivesse chegado a um acordo.” (110)

“Então compreendi subitamente que uma pessoa se apaixona pelo habitante secreto da pessoa amada,, que a pessoa amada é o veículo de outras presenças de que ela nem sequer tem consciência.” (120)

“Consegui deter milagrosamente o pranto à altura do peito. Ainda continua aí.” (163)

” …que eu ultrapassava com a mesma facilidade com que a caneta desliza pela folha de papel num desses dias felizes em que temos a impressão de escrever como se nos estivesse a ser ditado. Escrever bem pressupõe escrever como se nos estivesse a ser ditado por aquela parte de nós que permanece dentro do delírio quando a outra sai dele para comunicar com os outros ou para ganhar a vida.”

“O Silêncio de Um Homem Só” de Manuel Jorge Marmelo – concluído com falta de entusiasmo.

“13 gotas ao deitar” de Alice Vieira, Catarina Fonseca, Leonor Xavier, Luísa Beltrão, Rita Ferro e Rosa Lobato Farias – leitura escorreita de férias.

“Jesusalém” – Mia Couto

A ficar na memória, tal como vários outros livros deste autor.

A criatividade infinita nas palavras dos lugares, das pessoas, dos cheiros e das cores.

 Registos de um discurso marcante de Maya Angelou, na introdução de: book_maya_angelou“You may not control all the events that happen to you, but you can decide not to be reduced by them.”

“Atrevamo-nos a importarmo-nos.”  (entrevista)

Ver, ouvir, pensar

cafe_dsc00985 EL SOL

A plena luz de sol sucede el día,

el día sol, el silencioso sello

extendido en los campos del camino.

Hoy, este abierto mediodía vuela

con todas las abejas de la luz:

es una sola copa la distancia,

al territorio claro de mi vida.

Y brilla el sol hacia Valparaíso.

Pablo Neruda

Numa apresentação de dissertação de mestrado que se afigurava apelativa pelo tema e pela oradora, eis que o arguente joga por quaisquer regras (segundo alguns, dentro dos habituais trâmites destas lides), que fogem à dinâmica de um confronto construtivo/criativo das  ideias/conceitos e resultados de investigação que foram trabalhados. 

O exacerbado reiterar das fragilidades do trabalho do outro, a exposição excessiva de uma superioridade intelectual (acompanhada de uma dúbia e benevolente distribuição, in loco, de fontes fidedignas de artigos científicos ), requer da outra parte preparação física e psicológica para entrar no jogo.

Dum posível diálogo  sobre pesquisa de informação e bibliotecas, saíu um emaranhado exaustivo de repreensões formais, que se creêm precisas, mas com uma péssima gestão de apresentação. Devia ser recordado a esta linha de estudiosos, que também é missão de alguém que está num sistema educativo, fazer brilhar a parte que tem luz. 

Aqui, a luz no fim da Costa, como tributo ao grupo que se manteve e que não se revendo neste último evento, se revê no percurso COMPLETO  de qualidade da recente mestra.

  Uma iniciativa que se estende à escala do planeta, num esforço de ajuda ao empreendimento dos que precisam de muito para concretizar um projecto de sobrevivência. Este MUITO, constitui para outros (quem empresta) um valor, que não sendo simbólico, se torna simbólico face à comparação entre as condições de vida de quem empresta e de quem recebe o empréstimo.

Acrescido ao meu simbólico contributo monetário a uma empresária do Tajikistão, reforço neste espaço o registo da divulgação aos amigos e colegas “by spreading the word” sobre esta iniciativa, em http://www.kiva.org

Que este projecto permaneça íntegro na missão que se propõe realizar e que se verifica ter já realizado. As informações no site revelam um extenso trabalho já feito e em desenvolvimento.  

Quanto ao impacto da ajuda na vida destes pequenos empresários, aguardemos pela resposta a esta interrogação, pois na vida dos que fazem uma doação/empréstimo, sublinha-se, ainda que seja um lugar comum, a grande satisfação pessoal.

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