Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for the ‘literatura’ Category

Compreensão

No encontro de educação, cultura e cidadania, que teve lugar  no Instituto Piaget, sobre a temática da compreensão/incompreensão, Mia Couto discorreu com a alma, dizendo o que sabe/sente na sua forma única.

Numa ausência de conhecimento dos outros há que “fazer a viagem nas nossas incertezas para saber do outro”; “fazer a emigração de nós próprios”.

Sobre a escrita: “quando se escreve é-se o outro, não se escreve sobre o outro.”

Sobre a sessão de autógrafos a imagem talvez de cansaço, introspeção (quem sabe do outro!) pode parecer distância da impessoalidade, seja o que for, o encontro compensou largamente.

_____________________________________________________________

Sobre a temática das crianças, um dos responsáveis do encontro, citou uma criança:  “O ar cheira bem é porque os astronautas estão a comer rebuçados”

Read Full Post »

A expressão da ausência que permite a identificação do leitor com a passagem enviada pela Zé F.

Obrigada

Read Full Post »

A poesia das casas

OH AS CASAS AS CASAS AS CASAS

Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas

Ruy Belo
Homem de Palavra[s]

(enviado por Zé F.)

Read Full Post »

Pensageiro Frequente

E mais uma leitura de Verão: Pensageiro Frequente de Mia Couto.

Uma colectânea de textos publicados numa revista de bordo, com cadência poética que caracteriza a escrita deste autor.

Neste tempo de férias que remete para viagens, cidades e outras paragens, algumas passagens deste livro que nos levam em pensamento.

“Ninguém, em verdade, viaja para uma ilha. As ilhas existem dentro de nós, como um território sonhado, como um pedaço que se soltou do tempo.” (p.31)

” As ilhas são como pessoas: querem existir por si mesmas mas receiam a lonjura.” (p.111)

“Afinal, eu e o meu amigo sabemos: os lugares não se comparam. Como as pessoas, cada um deles acontece num momento único, numa única e irrepetível vida.” (p.118)

“Na altura, eu não sabia que as pequenas cidades vivem sempre o sonho de serem outra coisa. Sonham ser grandes cidades. (…) Talvez, por isso, o tamanho dos nossos sonhos fosse reforçado. Talvez, por isso, o meu lugar tivesse ficado maior quando o soube pequeno.” (p.18)

” a cidade não é um lugar. É a moldura de uma vida, um chão para a memória.” (p.19)

“Os lugares são da natureza, pensamos. E não há mais que pensar. mas os lugares foram fabricados por histórias. e são fazedores de tantas outras histórias.” (p.75)

Read Full Post »

Livros em curso

A Tábua de Flandres (concluído)

As Lágrimas do Meu Pai

Solar

Read Full Post »

A sombra do que fomos

Read Full Post »

Livro de Chico Buarque

O livro lido no fim de verão.
O fim da vida num monólogo de história afectiva, política e social da personagem e do Brasil nos dois últimos séculos.
Uma escrita e argumento que prende o leitor.

Read Full Post »

Older Posts »