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Archive for the ‘poesia’ Category

A poesia das casas

OH AS CASAS AS CASAS AS CASAS

Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas

Ruy Belo
Homem de Palavra[s]

(enviado por Zé F.)

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Sol e Caetano Veloso

Luz do sol,

Que a folha traga e traduz,

Em verde novo

em folha, em graça, em vida, em força, em luz…

Céu azul que vem até onde os pés

tocam na terra

E a terra inspira e exala seus azuis…

Reza, reza o rio,

Córrego pro rio, o rio pro mar

Reza a correnteza, roça a beira, doura a areia

Marcha o homem sobre o chão

Leva no coração uma ferida acesa

Dono do sim e do não

Diante da visão da infinita beleza

Finda por ferir com a mão essa delicadeza

A coisa mais querida

A glória da vida…

Luz do Sol

Que a folha traga e traduz

Em verde novo

Em folha, em graça, em vida, em força, em luz…

Céu azul que vem até onde os pés

Tocam na terra

E a terra inspira e exala seus azuis…

Reza, reza o rio

córrego pro rio, o rio pro mar

Reza correnteza, roça a beira, doura a areia

Marcha o homem sobre o chão

Leva no coração uma ferida acesa

Dono do sim e do não

Diante da visão da infinita beleza

Finda por ferir com a mão

Essa delicadeza

A coisa mais querida

A glória da vida

Luz do Sol

Que a folha traga e traduz

Em verde novo

Em folha, em graça, em vida, em força, em luz…

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AS PALAVRAS

As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade

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cafe_dsc00985 EL SOL

A plena luz de sol sucede el día,

el día sol, el silencioso sello

extendido en los campos del camino.

Hoy, este abierto mediodía vuela

con todas las abejas de la luz:

es una sola copa la distancia,

al territorio claro de mi vida.

Y brilla el sol hacia Valparaíso.

Pablo Neruda

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